BIOGRAFIA

Madalena Santos Reinbolt

1919, Vitória da Conquista | BA - Brasil

1977, Petrópolis | RJ - Brasil

Dos tapetes de Madalena Santos Reinbolt podemos dizer o mesmo que da tapeçaria de Bayeux, executada na cidade do mesmo nome, em 1255: constituem antes um tecido ornamentado, obra de bordado, porque feitos com agulha, e não no tear. E Madalena trabalhava os seus “quadros de lã” com 154 agulhas, que levava uma hora para enfiar, de diversas cores. Ela queria ter as cores à mão, como uma paleta, para usa-las à maneira de pinceladas sobre a estopa ou talagarça. A agulha tornava-se dessa forma um prolongamento da mão, como o pincel na pintura. Foi assim obtida a movimentada superfície dos seus tapetes, dinamizada pela orientação versátil imprimida às fiadas de pontos. A sua necessidade de avolumar texturas traduz-se na aplicação de pequenos aglomerados de malha ou linha, em diferentes relevos, que se entretecem com uniformidade ao bordado de lã, e que são aplicados, em particular, à folhagem das árvores. Essa textura inédita e o dinamismo cromático alcançam seu melhor resultado quando ela borda sobre estopa – quase a totalidade dos seus trabalhos tem esse suporte. A trama irregular e flexível da estopa não condiciona o direcionamento dos pontos da agulha e se adéqua perfeitamente ao ímpeto expressionista do trabalho de Madalena. Sua obra está povoada de longas reminiscências rurais, verdadeiras “aetas áurea”, que irão constituir os temas preferenciais tanto dos seus “quadros de tinta”, começados cerca de 1950, como dos seus “quadros de lã”, cuja produção data de 1969.

A vida agropastoril do interior baiano é a grande tônica da representação plástica de Madalena, como se constata de seus comentários sobre as obras. Dizendo “ter a cabeça cheia de planetas”, Madalena escreveu o mundo com suas figuras bordadas. Astros, Sol, Lua, estrelas. Pássaros variadíssimos, de que ela conhecia as minúcias plumárias e a clave onomatopaica com uma intimidade verdadeiramente sertaneja. Fauna variadíssima: bois, carneiros, elefantes, onças, macacos. Presença e germinação vegetal de diversificadíssimas forma e textura. Homens e mulheres amalgamados ao grande fuso intemporal e cósmico da sua gênese imaginativa. Os dados culturais colhidos pela artista estão contidos nessa veemente florescência cosmogônica. Desde as estórias místicas, do tempo em que os bichos falavam e os macacos ensinaram a matar a fome com os frutos da Árvore do Pai Bié, ao catolicismo, à visão de mundo tocada pelos novos meios de comunicação e pela vida dos grandes centros urbanos. Da soma dessas experiência surgiu a sua criação, que nos faz concluir com Bachelard que “para uma vida decididamente mítica não há deus subalternos” na arte. Madalena nasceu em pequena fazenda de Vitória da Conquista, na Bahia. Deixou sua cidade por volta dos 20 anos de idade para trabalhar como empregada doméstica em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Petrópolis, até a sua morte em 1977. Foi estimulada a pintar por sua empregadora, Lota Macedo Soares, de quem foi caseira em Petrópolis.

Fonte: Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

CV

Exposições Coletivas: 


1991 A Mata, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), São Paulo, SP, Brasil


2006-2007 Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro Brasil, São Paulo, SP, Brasil


 

EXPOSIÇÕES

encerrado
são paulo

Mulheres na Arte Popular

09.03.2020 - 09.05.2020

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