Agnaldo [Agnaldo Manoel dos Santos]
1926, Ilha de Itaparica | BA - Brasil - 1962, Salvador | BA - Brasil
Agnaldo Manoel dos Santos (1926-1962), nascido na Ilha de Itaparica, Bahia, é amplamente reconhecido como um dos mais notáveis escultores do modernismo brasileiro. Sua obra reflete uma síntese singular entre as tradições culturais afro-brasileiras e as linguagens da arte moderna, com um estilo profundamente enraizado na madeira, sua principal matéria-prima.
Sua trajetória artística teve início em 1952, enquanto trabalhava no ateliê do escultor Mario Cravo Júnior, onde demonstrou grande talento e começou uma produção marcante, interrompida precocemente por sua morte aos 36 anos.
Autodidata, Agnaldo foi influenciado pela escultura africana – que conheceu por meio das fotografias de Pierre Verger – e por tradições visuais do Nordeste brasileiro. Ele desenvolveu um estilo único que integra elementos das culturas africanas e brasileiras, com esculturas que transitam entre máscaras e figuras humanas e carregam significados profundos. Seu processo criativo, guiado pela intuição, dispensava esboços preliminares; ele esculpia diretamente na madeira, respeitando as características naturais do material. Mestre Guarany, célebre escultor de carrancas, orientou Agnaldo no uso do cedro, garantindo durabilidade e beleza às suas obras.
O reconhecimento da obra de Agnaldo foi amplamente impulsionado por Lina Bo Bardi, que organizou em 1961 a exposição Agnaldo: Esculturas no Museu de Arte Moderna da Bahia. A partir daí, seu trabalho começou a circular internacionalmente, sendo exibido no Walker Art Center, em Minneapolis, e em mostras na Nigéria que ressaltavam as conexões culturais entre Salvador e o continente africano.
Combinando inventividade e precisão técnica, suas esculturas capturam o diálogo entre o popular e o moderno, consolidando seu papel como um dos grandes nomes da escultura brasileira no século XX. Obras de Agnaldo integram importantes coleções e exposições, reforçando sua relevância no cenário artístico nacional e internacional. Considerado pela crítica como um criador intuitivo, suas peças refletem as ressonâncias da diáspora africana e uma busca por expressões universais por meio da arte.
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