BIOGRAFIA

Chico da Silva [ Francisco Domingues da Silva ]

1910, Alto Tejo | AC - Brasil

1985, Fortaleza | CE - Brasil

Nasceu no Acre, em plena floresta amazônica, filho de Minervina Félis de Lima e de Domingos da Silva, caboclo peruano. É talvez o primeiro artista de fonte popular, depois de Vitalino, a atingir a evidência na mídia de todo o país, bem como na estrangeira especializada. Em entrevista que me deu na sua casa do Pirambu, em 1974, expressando-se em português fluente e correto, as lembranças da infância de Chico Silva se resumiam “à manjedoura do rio, atirando de boleadeira nos pássaros”. Foi para o Ceará com a família aos seis anos de idade. Em seguida, para uma fazenda em Quixadá. Com a morte da mãe, que o recomendara a amigos fazendeiros, “vai se criando, sempre no meio da sociedade. Não precisava de escola. A natureza, eu tinha”. Com 12 anos, vai para Guaramiranga, onde ficou até o princípio da mocidade. Iniciou-se na pintura em Fortaleza (CE), sua residência desde 1935, exercendo pequenos trabalhos de sapateiro, funileiro, soldador, pedreiro, carpinteiro e pintando paredes. Do que mais gostava, no entanto, “era desenhar vom mato verde apanhado na hora, e tijolo branco e vermelho (porque eu não tinha tinta naquela época) nas paredes das casas dos pescadores”. A Heloisa Juaçaba acrescentou que chamava de “caon mortuário” para dar o preto e o cinza”. Assim foram vistos pela primeira vez seus grandes pássaros amazônicos, fguras marinhas e dragões pelo crítico e pintor suíço Jean Pierre Chabloz, na sua primeira permanência no Ceará, entre 1943 e 1944. “Aqueles peixes”. disse-me Chico, “nome ninguém pode dizer, porque cada dia boto um peixe diferente pra fora: a cabeça está cheia de peixes.” Quanto aos dragões, um poderia ser o “Dadãodão, monstro pré-histórico, que vive em perseguição. Filhos perseguem os pais porque querem ser mais que eles”, conclui freudianamente. Chabloz o introduz ao guache, material que não mais abandonou, pela afinidade com o seu primeiro modo de pintar, e o encaminha para exposições que vão de Fortaleza (1943) a Genebra (1949), Neuchâtel (1956), e individuais no Rio de Janeiro (1945) e em Lausanne (1950). Chabloz escreve em “Cahiers d’Art” o artigo “Um índio brasileiro reinventa a pintura”, em 1952, ano em que a arte de Chico é apresentada a André Malraux e a Christian Zervos.

Uma reportagem em cores na revista “O Cruzeiro” projetou-o nacionalmente. Em 1945, quando expôs no Rio, na Galeria Askanazy, o crítico Ruben Navarra observou: “Devo dizer que os guaches desse artista indígena são qualquer coisa de muito sério. Na arte brasileira, só Cícero Dias, há dez anos atrás, me dera uma impressão de ingenuidade lírica tão poderosa, aplicada à pintura.” As primeiras ausências de Chabloz do Brasil, no anos 1940, corresponderam ao abandono da pintura por Chico, retomada quando o pintor suíço regressava a Fortaleza. Num dos seus retornos, no ano de 1959, Chabloz buscou incentivar mais uma vez Chico, obtendo-lhe um emprego de servente com o reitor da Universidade Federal do Ceará, o que na realidade significava abrir-lhe um espaço para poder pintar e refletir sobre o seu trabalho. No Museu da Arte da Universidade, Chico realizou o grande conjunto de guaches que até hoje estão no seu acervo. Na década de 1960, iniciou-se o doloroso e espetacular périplo de Chico, que abandona a Universidade, expondo-se a uma comercialização desenfreada da sua arte, com raros momentos de exceção, como as exposições na Galeria Relevo (RJ, 1963), na Galeria Jacques Massol (Paris, 1965) e “Artistas Primitivos Brasileiros” (cidades da Europa, inclusive Moscou, 1966).Recebeu menção honrosa na Bienal de Veneza de 1966, com a curadoria do crítico Clarival do Prado Valladares, que na ocasião escreveu: “É o intérprete de uma mitologia diluída na tradição oral de uma região imensa que só ele fixou e refletiu (...). Outro aspecto relevante é a sua qualidade plástica como composição bem ordenada e contruída (...). O grafismo, a trama do desenho, a policromia e o enriquecimento detalhista são características marcantes.” Paralelamente a esse brilhante circuito, havia-se constituído em Fortaleza, com o consentimento do artista, que praticava excessos com bebida, uma rede coletiva de produção dos seus trabalhos. Apareceram centenas de telas com pinturas a óleo, de execução mais fácil que os guaches sobre cartolina. Tinha sido excessiva a exposição de Chico à mídia e ao mercado. Nos anos 1970 ele adoeceu e seu prestígio decaiu até as multiplicações de seu trabalho se encontrarem em lojas de “souvenirs”. Em 1974 o governo do Estado lhe dá outra casa, mas com a saúde abalada o artista é internado, em 1977, em uma clínica psiquiátrica, da qual ainda sairia para participar da I Bienal Latino-americana promovida pela Bienal de São Paulo. Novas recaídas da doença, novas polêmicas sobre falsificações de obras, concessão de pensão vitalícia e oferecimento de uma nova casa pelo governo do Ceará marcaram o ano da morte de Chico Silva, pai de nove filhos vivos e um dos grandes artistas do país.

Fonte: Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

CV

Exposições Individuais:


2010 Chico da Silva – O Renascer 100 Anos, Espaço Cultural Correios, Fortaleza, CE, Brasil


2002 Santa Ingenuidade, Unifieo, São Paulo, SP, Brasil 


1989 Retrospectiva Chico da Silva: Do Delírio ao Dilúvio, Espaço Cultural do Palácio da Abolição, Fortaleza, CE, Brasil


1967 Francisco da Silva, A Galeria, São Paulo, SP, Brasil


1967 Francisco da Silva, Galeria Gemini, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1967 Francisco da Silva, Galeria Dezon, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1966 Francisco da Silva, Petite Galerie, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1965 Francisco da Silva, Galeria Querino, Salvador, BA, Brasil


1965 Francisco da Silva, Galeria Selearte, São Paulo, SP, Brasil


1965 Francisco da Silva, Galeria Goeldi, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1963 Francisco da Silva, Galeria Relevo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1961 Francisco da Silva, Sede dos Diários Associados, Fortaleza, CE, Brasil


1965 Oito Pintores Ingênuos Brasileiros, Galeria Jaques Massol, Paris, França


1950 Francisco da Silva, Galeria Pour L'Art, Lausanne, Suíça


 


Exposições Coletivas:


2007 Encuentro entre dos Mares- Bienal de São Paulo- Valencia, Convento del Carmo – Valencia, Espanha


2006 – 2007 Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Museu Afro Brasil, São Paulo, SP, Brasil


2005 Brasileiro, Brasileiros, Museu Afro Brasil, São Paulo, SP, Brasil


2002 6ª Bienal Naifs do Brasil, SESC, Piracicaba, SP, Brasil 


2002 Pop Brasil: A Arte Popular e o Popular na Arte, CCBB, São Paulo, SP, Brasil


2000 Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP, Brasil


2001 Biografias Instantâneas, Casa das Rosas, São Paulo, SP, Brasil


1996 Expo FIEO: doação Luiz Ernesto Kawall, Centro Universitário FIEO, Osasco, SP, Brasil


1988 O Mundo Fascinante dos Pintores Naïfs, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 


1984 3º Salão Nacional de Artes Plásticas - sala especial, Fortaleza, CE, Brasil


1978 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo, Fundação Bienal, São Paulo, SP, Brasil 


1978 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, Fundação Educacional de Penápolis - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis, Penápolis, SP, Brasil


1978 28º Salão de Abril - sala especial, Fortaleza, CE, Brasil


1977 27º Salão de Abril, Fortaleza, CE, Brasil


1972 Arte/Brasil/Hoje: 50 Anos Depois, Galeria Collectio, São Paulo, SP, Brasil


1970  20º Salão de Abril, Fortaleza, CE, Brasil


1967 9ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal, São Paulo, SP, Brasil 


1966 33ª Bienal de Veneza – Menção Honrosa, Veneza, Itália


1966 Primitivos Brasileiros, Instituto de Cultura Hispânica, Madri, Espanha


1966 Brasil Incomum, Maison Janson, Paris, França


1966 Artistas Primitivos Brasileiros – itinerante, Europa


1956 Exposição Brasileira de Arte Folclórica e Popular, Museu Etnográfico, Neuchâtel, Suíça


1945 Cearense dos pintores Antonio Banderia, Inimá, Raimundo Feitos, Jean-Pierre Chabloz, Galeria Askanasy, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1944 3ª Salão Cearense de Pintura, Fortaleza, CE, Brasil


1943 Salão de Abril, Fortaleza, CE, Brasil


 


Coleções Públicas:


MAM/SP – Museu de Arte Moderna de São Paulo


Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará


 


Publicações Selecionadas:


2007 Encuentro entre dos Mares- Bienal de São Paulo- Valencia, Catálogo, Valencia, Espanha


2006 Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro, Catálogo, Museu AfroBrasil, São Paulo, SP, Brasil


2005 Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro – século XX, Lélia Coelho Frota, São Paulo, SP, Brasil


2005 Brasileiro, Brasileiros, Catálogo, Ipsis Gráfica e Editora, São Paulo, SP, Brasil


2000 Catálogo, Museu do Homem do Nordeste, Gráfica circuito, Recife, PE, Brasil


2000 Mostra do Redescobrimento- Brasil 500 anos | Arte Popular, Takano Editora, Brasil


1998 A Arte Naïf no Brasil, Jacques Ardies e Edson de Andrade Geraldo, Empresa das Artes, São Paulo, SP, Brasil


1978 Aspectos da pintura primitiva brasileira, Flávio de Aquino, Spala, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1979 Arte no Brasil, Pietro Maria Bardi, Abril Cultural, São Paulo, SP, Brasil


1990 Chico da Silva: do delírio ao dilúvio, Roberto Galvão, Espaço Cultural do Palácio da Abolição, Fortaleza, CE, Brasil


1988 A saga do pintor Francisco Domingos da Silva, Tukano, Fortaleza, CE, Brasil


1988 Dicionário Crítico da Pintura no Brasil, José Roberto Teixeira Leite, Artlivre, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


1987 Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand, Roberto Pontual, Edições Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

EXPOSIÇÕES

encerrado

Outsider Art Fair - New York 2014

08.05.2014 - 11.05.2014
encerrado

Outsider Art Fair - New York 2015

29.01.2015 - 05.02.2015